sábado, 17 de dezembro de 2011

O fantasma da polémica

Não gostei da polémica que se instalou hoje, iniciada no facebook, sobre a possibilidade de a Sofia Escobar participar num espectáculo integrado na Capital Europeia da Cultura. E não gostei porque a Sofia sabe o quanto os vimaranenses gostam dela e sabe o quanto a Fundação Cidade de Guimarães se esforçou para que fosse ela a protagonista principal do espectáculo que teve lugar na passada quarta-feira.
Bem me recordo da tristeza com que Rui Massena, responsável pela área da música na CEC, anunciou na sessão pública de apresentação dessa programação, em Junho passado, no Largo da Oliveira, a indisponiblidade da Sofia para participar nesse concerto, invocando, se a memória não me atraiçoa, a prorrogação do seu contrato em Londres.
Hoje fiquei a saber que, mesmo depois disto, a FCG continua a negociar com o seu agente uma eventual participação noutro espectáculo, em 2012.
Assim sendo, o que motivou Sofia a escrever aquele post?...
Tendo em conta o comunicado que colocou posteriormente no facebook, hoje à noite, e onde confirma isso mesmo, nada que justificasse o coro de aves agoirentas que imediatamente se fez sentir, anunciando o desastre da programação musical, como se uma voz ou um artista, por brilhante que seja (como é a Sofia), fosse determinante para medir o sucesso de uma área de programação que tem muitas outras propostas de excelência.
Eu bem sei que, para alguns, a polémica em redor da CEC tem de ser sistematicamente alimentada, não vá instalar-se a ideia generalizada que está mesmo condenada ao sucesso. Mas Guimarães e a Sofia bem dispensavam o fantasma desta polémica, principalmente porque um e outra, todos temos a certeza disso, também desejam esse sucesso e por ele lutarão.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O fado das Nicolinas

A Biblioteca Municipal Raúl Brandão acolheu, no final da tarde de quinta-feira, a primeira sessão de apresentação da equipa de investigadores da Universidade do Minho que vai liderar os projectos de estruturação científica da candidatura das Festas Nicolinas a Património Oral e Imaterial da Humanidade, cuja decisão pertencerá à UNESCO.
Nascido no seio e na vontade da comunidade Nicolina, percorrido algum caminho de vicissitudes próprias de projectos deste quilate e ancorado na adesão e financiamento da Câmara Municipal, indispensáveis para dar escala ao desiderato, dificilmente o processo parará. Mas vai levar o seu tempo. Recorde-se o processo do Centro Histórico de Guimarães e percebe-se que o caminho será longo e espinhoso. Ou o do Fado, mais recentemente.
Importa perceber que só a vontade de uma comundade local não basta. Assim fosse e estaria garantido. É fundamental que se estude com profundidade e rigor documental as raízes e o percurso desta festa, que sendo só nossa, e por isso mesmo única e inimitável, pode levar-nos à vertigem de um facilitismo que inevitavelmente condenará este projecto ao insucesso.
O estudo encomendado pela autarquia à UM terá de notabilizar as Festas Nicolinas como um património de cultura cuja autenticidade e singularidade obriguem o painel de peritos da UNESCO a considerá-lo de tal forma específico, único e rico, que mereça o estatuto de ser preservado como pertença de toda a humanidade.
Como velho Nicolino, para quem a noite fria do Pinheiro é a mais aguardada do ano, acredito que temos condições de base para ser sucedidos. Mas o caminho ainda só agora começou, e num terreno onde há muitos obstáculos a superar. E tal como o fado se fez património do mundo, também será esse o fado nas nossas Festas Nicolinas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Imaginários Corvos de Sangue

"Enjoo-me de ser eu | o ser dentro do eu que não sou..."
"Ser poeta é saber morrer quando é preciso..."
Esta é uma pequeníssima amostra do primeiro livro de poesias de Pedro Vieira Magalhães, Imaginários Corvos de Sangue, apresentado na quinta-feira à noite no CAAA.
Prefaciado por Daniel Sampaio, é um livro surpreendente, que incomoda pela dureza das palavras, mas que simultaneamente inebria pela explosão de emoções e contradições que delas brotam.
Não é um bom livro de cabeceira; é antes um livro para ler, levando depois as imagens poéticas para o aconchego da noite, a noite onde o autor se refugiou para o escrever.
Pensei conhecer o Pedro há mais de 20 anos. Puro engano! Conheci-o hoje pela primeira vez. E gostei do que vi. Do que li. E que vou voltar a reler, porque há muito dele para descobrir em cada página do seu primeiro livro.

Tu fazes parte

Primeiro na antiga Fábrica Asa, agora transformada em centro de arte e criatividade, com a apresentação pública da programação cultural da CEC 2012, depois à noite, no CCVF, com um primeiro e memorável concerto da Orquestra Estúdio, Guimarães provou o acerto daqueles que, em Portugal e na União Europeia, corajosamente acreditaram que uma pequena cidade à escala europeia seria capaz de se transformar num extraordinário pólo de produção e atracção cultural.
Ao final da tarde e depois à noite, tal como no dia anterior, e como sempre, os vimaranenses disseram presente, transbordantes de alegria, entusiasmo e orgulho. Obrigando mesmo a um segundo concerto da Orquestra (não previsto) na quinta-feira.
Razões de sobra para que os mais incrédulos aceitem definitivamente que a CEC 2012 será mesmo um marco de mudança no paradigma cultural,económico e social de Guimarães, e que, independentemente da forma como avaliamos criticamente obras, programas e pessoas, o mais importante está alcançado: todos nós sentimos que fazemos parte da Capital Europeia da Cultura. Daqui a pouco mais de um ano, com a festa feita e a tenda desmontada, algo de muito profundo permanecerá, cimentando a nossa identidade cultural e reforçando aquele "patriotismo de cidade" que um dia Jorge Sampaio disse só ter conhecido em Guimarães.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O património somos nós!


Um mar de gente, gente que verdadeiramente ama a sua cidade, indiferente à chuva e ao frio que ameaçavam estragar a inauguração da requalificação urbanística do Toural, Alameda e Campo da Feira, comemorou o décimo aniversário da elevação do Centro Histórico de Guimarães a Património Cultural da Humanidade.
Foi a 13 de Dezembro de 2001 que a UNESCO entregou aos vimaranenses esta enorme responsabilidade. Volvidos 10 anos, ninguém ousará dizer que não fomos sucedidos.
Calcorreando ruas e vielas, vivendo a atmosfera única das nossas praças, sentindo o cuidado extremo no pormenor da decoração dos nossos jardins ou na limpeza e asseio do espaço público; do esmero que cada um dispensa à recuperação de casas e lojas, no orgulho que sentimos quando jornais e revistas de todo o mundo recomendam visitas à nossa cidade ou da alegria que nos invade sempre que escutamos comentarios elogiosos de turistas e visitantes, de tudo um pouco, e tudo junto, nos faz sentir que é um privilégio viver em Guimarães, do privilégio que é ser vimaranense.
A Câmara Municipal, liderada por António Magalhães, foi a alavanca de todo este processo, disso ninguém duvida. Mas como o próprio referiu hoje, durante a cerimonia de inauguração, nada seria possível sem o contributo de todos: dos partidos políticos da oposição, dos moradores e comerciantes, das instituições locais e dos vários Governos que nos ajudaram a encontrar os meios financeiros indispensáveis para os investimentos necessários.
Porque afinal, em Guimarães,o património somos nós!