Patrocinado pela Fundação Cidade de Guimarães, integrado na programação da Capital Europeia da Cultura, o espectáculo "Ópera de Todos" subiu ao palco ontem à noite no Centro Cultural Vila Flor.
Mais de 150 pessoas, entre utentes, profissionais e voluntários da Cercigui, proporcionaram a um auditório lotado um espectáculo a que me faltam palavras para o descrever. Foi soberbo, arrebatador, tocante. No palco, durante quase uma hora, não vi pessoas com deficiência ou necessidades especiais. Vi felicidade, rigor artístico, vozes e dançarinos fantásticos; vi entrega, alma de artista, um coro soberbo e um grupo de músicos de excelência. E vi felicidade, muita felicidade. No rosto dos artistas, no rosto dos pais e amigos dos artistas, no rosto de cada uma das pessoas que ocuparam todas as cadeiras disponíveis do auditório. Vi também muitas lágrimas de felicidade, porque era impossível esconder emoção pelo esforço que cada um daqueles jovens especiais dedicou a este espectáculo.
Com esta Ópera de Todos, a capital europeia fez-se de inclusão, comprovando que todos fazem parte dela. E a Cercigui, numa hora apenas, evidenciou toda a qualidade do trabalho dos seus dirigentes, profissionais e voluntários; mostrou a sua razão de existir.
Mais do que um espectaculo, a Ópera de Todos é um hino à igualdade na diferença e um exemplo do poder da música, da dança ou do canto na descoberta de capacidades cognitivas e sensoriais de pessoas com necessidades especiais.
Adorei esta Ópera. Emocionei-me como há muito não acontecia. E adoraria que este espectáculo fosse repetido; não no CCVF, mas numa praça da cidade, para que muitos outros pudessem sentir esta emoção, para que muitos outros aplaudissem de pé a excelência artística destes jovens especiais, prestando justo tributo pelo esforço e paixão que lhe dedicaram.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O esplendor do Centro Histórico
Para quem, como eu, nasceu no Centro Histórico de Guimarães, onde passei a minha meninice e juventude, não é fácil que ele me surpreenda.
Conheço-o de cor, nos seus cantos e recantos, porque foi refúgio e esconderijo para as minhas brincadeiras de criança, foi sala de estudo e de aprendizagem da vida na minha adolescência e foi (é) local de culto desde sempre.
De um local que a cidade escondia, pela marginalidade que grassava, passou célere (o que são vinte anos!) para postal ilustrado da cidade, aí se conformando, pela mestria dos arquitectos e decisores políticos, a construção de um espaço que deixou de ser apenas nosso e hoje é património de todo o mundo. O meu Centro Histórico agora é de todos. E ainda bem. Porque sendo de todos, e onde todos participam, de vez em quando surpreende-nos. Como é hoje o caso, por força de uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal e da Fundação Cidade de Guimarães, que utilizam a tecnologia do video maping para projecção na fachada dos antigos Paços do Concelho de um conjunto de imagens que transformam completamente a leitura do Largo da Oliveira.
O efeito é lindíssimo, apetece não sair dali, mesmo com o frio a aconselhar o contrário. Não deixem de passar por lá, e façam-no antes do final do mês, altura em que esta performance será desactivada, não sem que antes, na noite de passagem de ano, outras surpresas estejam reservadas.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O desporto ganha "novos" pavilhões
Dão-se os últimos retoques no Pavilhão Desportivo da Escola EB 2,3 D. Afonso Henriques, em Creixomil, e fica concluído o processo de requalificação de seis pavilhões desportivos iniciado pela Câmara Municipal há cerca de três meses. A partir de agora, os pavilhões desportivos localizados em Lordelo e nas Escolas EB 2,3 de Moreira de Cónegos, Ronfe, Pevidém e Urgezes ficam como novos.Num investimento próximo dos 600.000 euros, com apoio dos fundos comunitários, procedeu-se à substituíção de coberturas, ampliaram-se arrecadações, renovaram-se os vestiários, melhorou-se a instalação eléctrica, criaram-se novas saídas de emergência e acessos a pessoas com mobilidade condicionada, enfim, dotou-se cada um deles com todas as condições que permitam cumprir integralmente a sua função de espaço privilegiado de prática desportiva, com segurança, conforto e comodidade.
Num concelho que tem uma das mais altas taxas de prática desportiva do país e um dos maiores índices de instalações desportivas por habitante, a prioridade da politica desportiva municipal continua centrada na massificação da prática desportiva, com investimentos priorizados na disponibilizacao de instalações de usufruto comunitário. É que estes pavilhões, para além da função de apoio ao desporto escolar durante o dia, são disponibilizados depois para o treino e competição de vários clubes de Guimarães, numa relação que privilegia a componente formativa, indispensável para consolidar o gosto pela prática desportiva, seja no movimento associativo local ou fora dele.Investir e apoiar o desporto escolar terá de ser sempre a linha orientadora do caminho a seguir na concretização de uma política desportiva municipal onde o desporto para todos seja o farol.
sábado, 17 de dezembro de 2011
O campo dentro da cidade
Nos férteis e verdejantes terrenos da Veiga de Creixomil, paredes meias com o Multiusos, bem no coração da cidade, foi inaugurada hoje de manhã a segunda fase da Horta Pedagógica e Social de Guimarães, que passará a ter mais 287 talhões para cultivo e outros tantos utentes.Este é um exemplo de uma forma de estar e de fazer política que deixa lastro. Senti hoje, como sinto em cada oportunidade de visita ao local, a alegria incontida de todos quantos foram bafejados com um pequeno quinhão de terra, num quadro de convivência perfeita entre o homem e natureza, conferindo beleza maior a esta extraordinária paisagem de bem-estar social e ambiental.
Ali, de entre os mais de 500 utentes, não há profissão, raça, credo ou distinção. Todos são aprendizes do cultivo da terra, onde a entre-ajuda e a camaradagem marcam a narrativa do espaço; é um espaço de pura convivialidade, de relações sociais, de lazer e de prazer. Para muitos, e verdade seja dita, é também um espaço de necessidade, onde se semeia o alimento que ajuda a compor o orçamento familiar. E não há mal nenhum nisso.
O pioneirismo de Guimarães a este nível já tem seguidores, mas confesso-vos que não há espaço mais bonito do que aquele; porque ninguém consegue, como nós, ter o campo dentro da cidade, numa paleta de cores e de enquadramento paisagístico que (ainda) tornam mais bela a cidade de Guimarães.
O fantasma da polémica
Não gostei da polémica que se instalou hoje, iniciada no facebook, sobre a possibilidade de a Sofia Escobar participar num espectáculo integrado na Capital Europeia da Cultura. E não gostei porque a Sofia sabe o quanto os vimaranenses gostam dela e sabe o quanto a Fundação Cidade de Guimarães se esforçou para que fosse ela a protagonista principal do espectáculo que teve lugar na passada quarta-feira.
Bem me recordo da tristeza com que Rui Massena, responsável pela área da música na CEC, anunciou na sessão pública de apresentação dessa programação, em Junho passado, no Largo da Oliveira, a indisponiblidade da Sofia para participar nesse concerto, invocando, se a memória não me atraiçoa, a prorrogação do seu contrato em Londres.
Hoje fiquei a saber que, mesmo depois disto, a FCG continua a negociar com o seu agente uma eventual participação noutro espectáculo, em 2012.
Assim sendo, o que motivou Sofia a escrever aquele post?...
Tendo em conta o comunicado que colocou posteriormente no facebook, hoje à noite, e onde confirma isso mesmo, nada que justificasse o coro de aves agoirentas que imediatamente se fez sentir, anunciando o desastre da programação musical, como se uma voz ou um artista, por brilhante que seja (como é a Sofia), fosse determinante para medir o sucesso de uma área de programação que tem muitas outras propostas de excelência.
Eu bem sei que, para alguns, a polémica em redor da CEC tem de ser sistematicamente alimentada, não vá instalar-se a ideia generalizada que está mesmo condenada ao sucesso. Mas Guimarães e a Sofia bem dispensavam o fantasma desta polémica, principalmente porque um e outra, todos temos a certeza disso, também desejam esse sucesso e por ele lutarão.
Bem me recordo da tristeza com que Rui Massena, responsável pela área da música na CEC, anunciou na sessão pública de apresentação dessa programação, em Junho passado, no Largo da Oliveira, a indisponiblidade da Sofia para participar nesse concerto, invocando, se a memória não me atraiçoa, a prorrogação do seu contrato em Londres.
Hoje fiquei a saber que, mesmo depois disto, a FCG continua a negociar com o seu agente uma eventual participação noutro espectáculo, em 2012.
Assim sendo, o que motivou Sofia a escrever aquele post?...
Tendo em conta o comunicado que colocou posteriormente no facebook, hoje à noite, e onde confirma isso mesmo, nada que justificasse o coro de aves agoirentas que imediatamente se fez sentir, anunciando o desastre da programação musical, como se uma voz ou um artista, por brilhante que seja (como é a Sofia), fosse determinante para medir o sucesso de uma área de programação que tem muitas outras propostas de excelência.
Eu bem sei que, para alguns, a polémica em redor da CEC tem de ser sistematicamente alimentada, não vá instalar-se a ideia generalizada que está mesmo condenada ao sucesso. Mas Guimarães e a Sofia bem dispensavam o fantasma desta polémica, principalmente porque um e outra, todos temos a certeza disso, também desejam esse sucesso e por ele lutarão.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
O fado das Nicolinas
A Biblioteca Municipal Raúl Brandão acolheu, no final da tarde de quinta-feira, a primeira sessão de apresentação da equipa de investigadores da Universidade do Minho que vai liderar os projectos de estruturação científica da candidatura das Festas Nicolinas a Património Oral e Imaterial da Humanidade, cuja decisão pertencerá à UNESCO.Nascido no seio e na vontade da comunidade Nicolina, percorrido algum caminho de vicissitudes próprias de projectos deste quilate e ancorado na adesão e financiamento da Câmara Municipal, indispensáveis para dar escala ao desiderato, dificilmente o processo parará. Mas vai levar o seu tempo. Recorde-se o processo do Centro Histórico de Guimarães e percebe-se que o caminho será longo e espinhoso. Ou o do Fado, mais recentemente.
Importa perceber que só a vontade de uma comundade local não basta. Assim fosse e estaria garantido. É fundamental que se estude com profundidade e rigor documental as raízes e o percurso desta festa, que sendo só nossa, e por isso mesmo única e inimitável, pode levar-nos à vertigem de um facilitismo que inevitavelmente condenará este projecto ao insucesso.O estudo encomendado pela autarquia à UM terá de notabilizar as Festas Nicolinas como um património de cultura cuja autenticidade e singularidade obriguem o painel de peritos da UNESCO a considerá-lo de tal forma específico, único e rico, que mereça o estatuto de ser preservado como pertença de toda a humanidade.
Como velho Nicolino, para quem a noite fria do Pinheiro é a mais aguardada do ano, acredito que temos condições de base para ser sucedidos. Mas o caminho ainda só agora começou, e num terreno onde há muitos obstáculos a superar. E tal como o fado se fez património do mundo, também será esse o fado nas nossas Festas Nicolinas.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Imaginários Corvos de Sangue
"Ser poeta é saber morrer quando é preciso..."
Esta é uma pequeníssima amostra do primeiro livro de poesias de Pedro Vieira Magalhães, Imaginários Corvos de Sangue, apresentado na quinta-feira à noite no CAAA.
Prefaciado por Daniel Sampaio, é um livro surpreendente, que incomoda pela dureza das palavras, mas que simultaneamente inebria pela explosão de emoções e contradições que delas brotam.
Não é um bom livro de cabeceira; é antes um livro para ler, levando depois as imagens poéticas para o aconchego da noite, a noite onde o autor se refugiou para o escrever.
Pensei conhecer o Pedro há mais de 20 anos. Puro engano! Conheci-o hoje pela primeira vez. E gostei do que vi. Do que li. E que vou voltar a reler, porque há muito dele para descobrir em cada página do seu primeiro livro.
Tu fazes parte
Razões de sobra para que os mais incrédulos aceitem definitivamente que a CEC 2012 será mesmo um marco de mudança no paradigma cultural,económico e social de Guimarães, e que, independentemente da forma como avaliamos criticamente obras, programas e pessoas, o mais importante está alcançado: todos nós sentimos que fazemos parte da Capital Europeia da Cultura. Daqui a pouco mais de um ano, com a festa feita e a tenda desmontada, algo de muito profundo permanecerá, cimentando a nossa identidade cultural e reforçando aquele "patriotismo de cidade" que um dia Jorge Sampaio disse só ter conhecido em Guimarães.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O património somos nós!
Um mar de gente, gente que verdadeiramente ama a sua cidade, indiferente à chuva e ao frio que ameaçavam estragar a inauguração da requalificação urbanística do Toural, Alameda e Campo da Feira, comemorou o décimo aniversário da elevação do Centro Histórico de Guimarães a Património Cultural da Humanidade.
Foi a 13 de Dezembro de 2001 que a UNESCO entregou aos vimaranenses esta enorme responsabilidade. Volvidos 10 anos, ninguém ousará dizer que não fomos sucedidos.
Calcorreando ruas e vielas, vivendo a atmosfera única das nossas praças, sentindo o cuidado extremo no pormenor da decoração dos nossos jardins ou na limpeza e asseio do espaço público; do esmero que cada um dispensa à recuperação de casas e lojas, no orgulho que sentimos quando jornais e revistas de todo o mundo recomendam visitas à nossa cidade ou da alegria que nos invade sempre que escutamos comentarios elogiosos de turistas e visitantes, de tudo um pouco, e tudo junto, nos faz sentir que é um privilégio viver em Guimarães, do privilégio que é ser vimaranense.
A Câmara Municipal, liderada por António Magalhães, foi a alavanca de todo este processo, disso ninguém duvida. Mas como o próprio referiu hoje, durante a cerimonia de inauguração, nada seria possível sem o contributo de todos: dos partidos políticos da oposição, dos moradores e comerciantes, das instituições locais e dos vários Governos que nos ajudaram a encontrar os meios financeiros indispensáveis para os investimentos necessários.Porque afinal, em Guimarães,o património somos nós!
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